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Uma parte que não tinha...


Súbita mão de algum fantasma oculto

Entre as dobras da noite e do meu sono

Sacode-me e eu acordo, e no abandono

Da noite não enxergo gesto ou vulto.

 

Mas um terror antigo, que insepulto

Trago no coração, como de um trono

Desce e se afirma meu senhor e dono

Sem ordem, sem meneio e sem insulto.

 

E eu sinto a minha vida de repente

Presa por uma corda de Inconsciente

A qualquer mão noturna que me guia.

 

Sinto que sou ninguém salvo uma sombra

De um vulto que não vejo e que me assombra,

E em nada existo como a treva fria.

 

 

       Fernando Pessoa



Escrito por Suka às 12h55
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Quando estou só reconheço
Se por momentos me esqueço
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.

E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.

Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por cousa esquecida.

 

 



            Fernando Pessoa



Escrito por Suka às 12h51
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"Quando eu morrer e no frescor de lua
Da casa nova me quebrar a sós,
Deixai-me em paz na minha quieta rua...
Nada mais quero com nenhum de vós!

Quero é ficar com alguns poemas tortos
Que andei tentando endireitar em vão...
Que lindo a Eternidade, amigos mortos,
Para as torturas lentas da expressão!...

Eu levarei comigo as madrugadas,
Pôr-de-sóis, algum luar, asas em bando,
Mais o rir dos primeiros namorados...

E um dia a morte há de fitar com espanto
Os fios de vida que eu urdi,
cantando,
Na orla negra do seu negro manto..."

 

Mário Quintana

(de novo ele...)

 

ideal ao momento...



Escrito por Suka às 20h04
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