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| Uma parte que não tinha... |
Exaltação
Viver! Beber o vento e o sol!... Erguer Ao céu os corações a palpitar! Deus fez os nossos braços pra prender, E a boca fez-se sangue pra beijar!
A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!... Asas sempre perdidas a pairar, Mais alto para as estrelas desprender!... A glória!... A fama!... O orgulho de criar!...
Da vida tenho o mel e tenho os travos No lago dos meus olhos de violetas, Nos meus beijos extáticos, pagãos!...
Trago na boca o coração dos cravos! Boêmios, vagabundos, e poetas: - Como eu sou vossa Irmã, ó meus Irmãos!...
(Florbela Espanca)
Escrito por Suka às 10h02
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O Burro
Vai ele a trote, pelo chão da serra, Com a vista espantada e penetrante, E ninguém nota em seu marchar volante, A estupidez que este animal encerra.
Muitas vezes, manhoso, ele se emperra, Sem dar uma passada para diante, Outras vezes, pinota, revoltante, E sacode o seu dono sobre a terra.
Mas contudo! Este bruto sem noção, Que é capaz de fazer uma traição, A quem quer que lhe venha na defesa,
É mais manso e tem mais inteligência Do que o sábio que trata de ciência E não crê no Senhor da Natureza.
(Patativa do Assaré)
Escrito por Suka às 09h03
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A voz afiada desafina. A faca amolada recorta. A doce esperança conforta. A face noturna reclina.
A louca menina se agita. A sábia senhora se cala. A porta da casa se abre. O silêncio da noite me embala.
(Suhelen Aragão)
07/03/2006
Escrito por Suka às 08h50
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Elogio da Dialética
A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros. Os dominadores se estabelecem por dez mil anos. Só a força os garante. Tudo ficará como está. Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores. No mercado da exploração se diz em voz alta: Agora acaba de começar: E entre os oprimidos muitos dizem: Não se realizará jamais o que queremos! O que ainda vive não diga: jamais! O seguro não é seguro. Como está não ficará. Quando os dominadores falarem falarão também os dominados. Quem se atreve a dizer: jamais? De quem depende a continuação desse domínio? De quem depende a sua destruição? Igualmente de nós. Os caídos que se levantem! Os que estão perdidos que lutem! Quem reconhece a situação como pode calar-se? Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã. E o "hoje" nascerá do "jamais".
(Bertold Brecht)
Escrito por Suka às 09h02
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| O Piano dos Afogados |
Reténs a forma para um outro espaço. Nascem de ti as estranhas madrugadas. Noturnas chuvas, dos céus mais órfãos, banham-te as teclas de álgidos artelhos. Nasce de ti a roupagem das vertentes que a primeira mulher se despe intacta para a ressurreição da sua inocência. Ó azulejo, ó piano de outras mãos: retém meu mundo pela última vez! retém meu tempo que esgarça outro tempo! Retém meu sopro de fugacidade.
(Nauro Machado)
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Escrito por Suka às 09h20
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rosas regadas sombras inquietas árvores perenes dos deuses. as dores respondem: silêncio!
rosas se aquietam sombras perecem árvores ressecam. os demônios perguntam insones: festa?
(Suhelen Aragão) 20/04/2006 10:47h

Escrito por Suka às 12h03
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| Um dia
Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem. Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela... Um dia nós percebemos que as mulheres tem extinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer... Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável... Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples... Um dia percebemos que o comum não nos atrai... Um dia saberemos que ser classificado como o "bonzinho" não é bom... Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você... Um dia saberemos a importância da frase: "Tu se tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..." Um dia percebemos que somos muito importante para alguém mas não damos valor a isso... Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais... Enfim... um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer tudo o que tem que ser dito.. O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutar para realizar todas as nossas loucuras... Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação. |
li isso num blog agora de manhã...
Escrito por Suka às 10h16
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repousa um segredo nas coisas não ditas
buracos no percurso não inibem o apito do trem
e os flagelos soltos nos trilhos assustam mais que os andarilhos
talvez todo esse medo seja por pessoas malditas
intrusas como num discurso em que se perde tudo o que tem
pobres vagões! na viagem de teus filhos só não esqueçam os meus dedilhos...
(Suhelen Aragão) 11/05/2006
Escrito por Suka às 14h36
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o peso do som
o vulto sacode o terror do abandono sobe e sente sono nasce e sempre morre o melhor passa procuro e não volta
a fé alimenta e consome mas o erro não some e volta por não crer que mudou incerto foi e voltou
desgarrado do que sente senta ao longe a vida dorme e ao despertar trouxe no trago a dormência mórbida dos calafrios tragados ausentes
(Suhelen Aragão) 20/04/2006 10:42h
Escrito por Suka às 10h35
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bobagens. hoje não me inspiro.
respiro. percebo estranhas paisagens.
miragens. quem mais estaria presa?
surpresa! eu mesma não creio.
receio. no mesmo instante fugi.
sorri. mas já acabou o recreio.
freio! vou-me embora daqui.
(Suhelen)
11/05/2006
20:25h
Escrito por Suka às 08h46
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Uma parte que não tinha
(Fernando Anitelli)
Não tem sol, nem solução
não tem tempero no meu dia
Não faz mal se a tradição nos traduz outra alegria
Não ter pressa dá a impressão de que a tarde virou tédio
não tem bala, belo, bola ou balão
não tem bula meu remédio
e não tem cura
acho que me perdi numa excursão
que fiz na tua certeza e na contradição
e não tem cura...
acho que me perdi numa excursão
que fiz na tua palavra e no teu palavrão
Não tem sol, nem solução
não tem tempero no meu dia
Não faz mal se a situação não traduz nossa alegria
Não ter festa dá a impressão de que o mundo ficou sério
não tem bala, belo, bola ou balão
não tem bula meu remédio
e não tem cura...
acho que me perdi numa excursão
que fiz pra lua
no meu universo o sol é solidão
e não tem cura... acho que me perdi numa excursão
que fiz pra lua
no meu único verso o sol é solidão
Não tem mal, nem maldição
não tem sereno no meu dia
Não tem sombra e assombração
Não tem disputa por folia
Tem bola de capotão, capitão capture essa menina
tem saudade e saudação
Uma parte que não tinha...
a música que dá nome ao blog...
àquele que me mostrou o Teatro Mágico...
Escrito por Suka às 11h33
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Oh eu! Oh vida!
Oh eu! Oh vida! das perguntas que sobre isso se voltam, Das infindáveis gerações de infiéis, das cidades cheias de tolos, Eu mesmo eternamente envergonhado de mim mesmo, (pois quem mais tolo do que eu e mais infiel?) De olhos que inutilmente desejam a luz, de objetos insignificantes, da luta sempre renovada, Dos pobres resultados de tudo, da multidão laboriosa e sórdida que sinto à minha volta, Anos vazios e invisíveis para os que restam, com o que resta de mim entrelaçados, A pergunta, oh eu! tão triste, ainda insiste - O que vale a pena por tudo isso, Oh, eu, oh, vida?
Resposta
Que você está aqui - que a vida e a identidade existem, Que o poderoso jogo continua, e você pode contribuir com um verso.

Escrito por Suka às 10h58
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Escrito por Suka às 22h12
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