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| Uma parte que não tinha... |
Atitude
Minha esperança perdeu seu nome... Fechei meu sonho, para chamá-la. A tristeza transfigurou-me como o luar que entra numa sala.
O último passo do destino parará sem forma funesta, e a noite oscilará como um dourado sino derramando flores de festa.
Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes.
E um campo de estrelas irá brotando atrás das lembranças ardentes.
(Cecília Meireles)
Escrito por Suka às 10h25
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De um verso ilegível traço traços que formam aquele pedido que se fez àquela estrela... Lembro que vi e o espelho não erra talvez porque não pensa (como diz o Caeiro "Pensar é essencialmente errar"). Mas o pedido se fez real e eu prefiro não pensar pra não achar que errei...
Os versos parecem tortos...
Escrito por Suka às 16h04
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A criança
A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas Age como um deus doente, mas como um deus. Porque embora afirme que existe o que não existe Sabe como é que as cousas existem, que é existindo, Sabe que existir existe e não se explica, Sabe que não há razão nenhuma para nada existir, Sabe que ser é estar em um ponto Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.
(Alberto Caeiro)

Escrito por Suka às 15h44
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“Oculta consciência de não ser, Ou de ser num estar que me transcende, Numa rede de presenças e ausências, Numa fuga para o ponto de partida: Um perto que é tão longe, um longe aqui. Uma ânsia de estar e de temer A semente que de ser se surpreende, As pedras que repetem as cadências Da onda sempre nova e repetida Que neste espaço curvo vem de ti”.
(José Saramago in Poemas Possíveis)
Escrito por Suka às 13h33
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"Nossos dias são preciosos mas com alegria os vemos passando se no seu lugar encontramos uma coisa preciosa crescendo: uma planta rara e exótica, deleite de um coração jardineiro, uma criança que estamos ensinando, um livrinho que estamos escrevendo."
achei esse poema do Rückert citado num livro do Rubem Alves que cita um livro do Hermann Hesse, que é onde ele leu o poema...
Escrito por Suka às 09h58
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O Anjo da Escada
Na volta da escada Na volta escura da escada. O Anjo disse o meu nome. E o meu nome varou de lado a lado o meu peito. E vinha um rumor distante de vozes clamando clamando...
Deixa-me! Que tenho a ver com as tuas naus perdidas? Deixa-me sozinho com os meus pássaros... com os meus caminhos... com as minhas nuvens...
(Mário Quintana)
Escrito por Suka às 11h49
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História
A moça limita-se ao ofício O moço sequer sabe da moça. Porém a vida acredita em ambos.
De comum, aparentemente existe apenas a cidade. (A cidade não vem ao caso: pequena? grande? aqui? na China?).
E como a vida tem raízes e particular interesse, vai suceder alguma coisa na história dos mencionados.
Alguma coisa, talvez mínima: queda de embrulho, aperto de transporte. Depois os fatos inevitáveis à consumação requerida.
A moça já ilimitada. O moço sabendo agora da moça. (No meio a vida com suas tramas.) Amanhã casam.
(Bandeira Tribuzi)
Escrito por Suka às 12h19
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Poeminha
Difícil explicação: é o choro na escada pelo jogo de bola, pelo rostinho de uma criança
Fácil explicação: é teu irmão, é meu avô, é a história que contamos todos os dias
Explico: está além de qualquer empáfia ou chiste, atravessa as paredes deste poema, vai bater em teu quintal e se aloja em uma borboleta quase escondida.
Esse poema um amigo fez pra mim =)
Escrito por Suka às 11h12
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só se sendo...
ser amado sendo som sem o sono e sem a sede
sem semente sendo terno ser eterno e sem o terno
sendo ausente ser somente só o som sem se ser
ser se sou só e ausente sou e sim sendo assim...
05.08.2006
Escrito por Suka às 13h44
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Dúvida
É pouco a pouco que a contragosto me toma um tal desgosto que se diz se sentir em Agosto.
Mas se não sinto ainda Agosto, qual será o gosto que pouco a pouco terá tal desgosto sentido a contragosto?
(Olímpio Rocha)
Escrito por Suka às 17h26
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A velhice
Olha estas velhas árvores, mais belas Do que as árvores moças, mais amigas, Tanto mais belas quanto mais antigas, Vencedoras da idade e das procelas...
O homem, a fera e o inseto, à sombra delas Vivem, livres da fome e de fadigas: E em seus galhos abrigam-se as cantigas E os amores das aves tagarelas.
Não choremos, amigo, a mocidade! Envelheçamos rindo. Envelheçamos Como as árvores fortes envelhecem,
Na glória de alegria e da bondade, Agasalhando os pássaros nos ramos, Dando sombra e consolo aos que padecem!
(Olavo Bilac)
talvez se possa envelhecer como as árvores...
dando sombra e consolo aos que padecem eu já não sei...
Escrito por Suka às 13h16
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Soneto VII
Já da morte o palor me cobre o rosto, Nos lábios meus o alento desfalece, Surda agonia o coração fenece, E devora meu ser mortal desgosto! Do leito embalde no macio encosto Tento o sono reter!... já esmorece O corpo exausto que o repouso esquece... Eis o estado em que a mágoa me tem posto! O adeus, o teu adeus, minha saudade, Fazem que insano do viver me prive E tenha os olhos meus na escuridade, Dá-me a esperança com que o ser mantive! Volve ao amante os olhos por piedade, Olhos por quem viveu quem já não vive!
(Álvares de Azevedo)
oh mortal desgosto, que deixa meus olhos na escuridade...
Escrito por Suka às 13h14
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A lagartixa
A lagartixa ao sol ardente vive E fazendo verão o corpo espicha: O clarão de teus olhos me dá vida, Tu és o sol e eu sou a lagartixa. Amo-te como o vinho e como o sono, Tu és meu copo e amoroso leito... Mas teu néctar de amor jamais se esgota, Travesseiro não há como teu peito. Posso agora viver: para coroas Não preciso no prado colher flores; Engrinaldo melhor a minha fronte Nas rosas mais gentis de teus amores Vale todo um harém a minha bela, Em fazer-me ditoso ela capricha... Vivo ao sol de seus olhos namorados, Como ao sol de verão a lagartixa.
(Álvares de Azevedo)
Escrito por Suka às 12h56
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Hoje eu acordei com uma vontade danada de ouvir Zeca Baleiro... Ouvi o Pet Shop, mas me vem a mente somente o Blues do Elevador... "Ora, quem é que não sabe o que é se sentir sozinho? (...) Achando a vida tão chata... (...) Só faz milagres quem crê que faz milagres como transformar lágrima em canção Vejo os pombos no asfalto eles sabem voar alto mas insistem em catar as migalhas do chão Sei rir mostrando os dentes e a língua afiada mais cortante que um velho blues Mas hoje eu só quero chorar como um poeta do passado e fumar o meu cigarro na falta de absinto Eu sinto tanto, eu sinto muito eu nada sinto como dizia Madalena replicando os fariseus quem dá aos pobres e empresta... adeus..." Acho que foi a Fernanda... vou precisar muito ouvir mais essa moça... e o Zeca também... Acho que vou sair pra ver o sol...
Escrito por Suka às 12h53
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