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Uma parte que não tinha...


Descansa com teu sono
enquanto conto as estrelas
já não danço como antes
e nem grito quando me perco
vou te vendo enquanto dorme
e vou me vendo no teu sonho
meus barquinhos de papel
percorrem tuas ondas mansas
minha sombra brilha e sorri
meus olhos não acreditam
eu, no entanto, não penso
teus falsos pensamentos
me desfazem e me encantam
enquanto não levanta
baixinho tu me chamas
e eu só acordo com teu despertar.

 

 

daquelas tantas outras muitas vezes...



Escrito por Suka às 11h42
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OUTUBRO

Outubro
ou nada

ou tudo
ou sangue

outubro
ou tumba

outubro
ou pão

outubro
ou túnel
- de emoção

(Affonso Romano de Sant'Anna )



Escrito por Suka às 14h21
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Suka (s) em: A (s) parte (s)

Outro dia alguém deu
carinho numa voz macia
sem saber porque perdeu
aquilo tudo que fazia
- era a parte que não tive.

Ontem achei quem achava
num caminho aberto e sombrio
coisas que não procurava
num imenso e escuro vazio
- era a parte que não tinha.

Hoje fingi que fingia
das falhas em meu trajeto
e não vi quem me pedia
mais um pouco de afeto
- era a parte que não tenho.

Amanhã volto no vulto
a fazer com aquele carinho
o que uma flor não faz
quando está sem espinho.
- é a parte que não sou.



Escrito por Suka às 22h05
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V
Escrever nem uma coisa
Nem outra -
A fim de dizer todas
Ou, pelo menos, nenhumas.
Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.


(Manoel de Barros - Retrato Quase Apagado em que se Pode Ver Perfeitamente Nada
de "O Guardador de Águas")



Escrito por Suka às 09h56
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elegia do dia seguinte

que palavra terei para o dia seguinte,
para a manhã vizinha?
onde repousarei os pés cansados
e estenderei as mãos súplices
em gestos de despedida?

onde guardar os olhos
fechados às coisas, de repente, proibidas
e o corpo fatigado de longas distâncias?

que palavras terei para o dia seguinte
se presenteei a voz aos monges, ao silêncio?

que fazer para ouvir a prece da última viagem
e sentir o universo como um quadro distante?

eu não verei o mar prenhe pela última vez
não estarei em todas as auroras,
nem saudarei o sol no seu último ocaso.

entrarei no amanhã como os mortos e as estátuas
mudo.

estarei na mensagem dos sinos
entre salinos e réquiens (surdo cego imóvel surdo)

serei apenas um nome
por trás do último poema.

 

(Manuel Lopes)
Voz no Silêncio

 

pra Silvia, depois das "conquistas" dela na noite anterior... noooossa...

=)



Escrito por Suka às 17h00
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todas as taças estão cheias.
na tarde contam seus espinhos.

todos os cinzeiros esperam o pó.
seus caminhos cortam a noite.

o espelho embaçado te mostra de lá.
o reflexo escuro me esconde daqui.

hoje estás tingida de violeta.
violenta é a dor que atinge o amanhã.

sente a falta das tuas asas?
sem ti, a flauta não dá notas!

tua mão não alcança minha lágrima.
minha dança não tem tua companhia.

chorar seria um triste consolo.
por ti, sorrisos e flores seriam
a luz que te leva nestas ruas
ou a origem que te eleva às rosas.

cantarei a espera da tua volta.

 

depois de ter te escutado ontem de tão longe...



Escrito por Suka às 13h18
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 DOMINGO TRISTE


Domingo triste porque, neste dia,
Os sinos não ecoaram, como outrora,
Nas encostas da colina, e a agonia
De um pôr-de-sol é bem mais triste agora.

Domingo triste, com ruas desertas,
A vida, em si, mais tristeza tem …
Portas fechadas, janelas abertas ,
Tudo deserto, não se vê ninguém.

De namorados nem um par se vê,
Nestes jardins, e até, não sei porquê,
A própria brisa se calou também …


Domingo triste… Nem o mar murmura,
A tarde desce e a noite chega escura,
Sem os encantos que o luar contém!

(JOSÉ MARIA LOPES DE ARAÚJO)

 

Não tenho problemas com domingos. Alguns são até interessantes... Mas recentemente tenho sentido uma melancolia que nenhuma domingueira conseguirá levantar. Por enquanto não. Daí o poema e a foto... Poema lido num domingo... Foto tirada num domingo...

Vontade de ir à praia... Acho que vou dormir...



Escrito por Suka às 19h25
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