Escrito por Suka às 11h35
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Naquele quintal incerto
(tanto quanto certo)
passava um rio de lírios
Peregrinos risos soltos
Presos em taças largas
Variam com as notas floridas
De flores que não falam
Tão somente transmitem
Mais que cheiro, cor.
Sobem sons, descem densos
passeiam por cima de tudo
e se encostam nas pétalas alvas.
E é de ver a beleza e o contentamento
em flores que não falam
em notas soltas e risos largos
que sinto certeza
do instante do agora
pra sempre.
De uma interminável tarde em mim.
Anoitece então.
A vontade de alvorecer
tal como o som das águas.
E amanhece, enfim
a luz dos lírios
Foi-se cor de vinho
fez-se som de flor.
Eu noite
Eu lírio
Eu brisa
Com o vento se foi o dia.
E amanhã
(tem outro)
Tu dia
Tu paz
Tu violeta
Porque se vem a noite
chega o agora
(e sempre mais)
O poema-flor não acaba
A flor-poema não morre
Findo aqui
Antes que desbote a cor.
(Tássia e eu, na tarde de 1º de janeiro...)
Escrito por Suka às 00h40
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