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Uma parte que não tinha...


quero um vaso de mel, por favor
para todos os dias amargos

quero um laço de cetim
para tudo que estiver desamarrado

quero ainda uma bola, de qualquer cor
só para não precisar de alguns afagos

quero também uma canção
que não me faça lembrar do que perdi

e uma noite estrelada
[para não dizer que pedi pouco].



Escrito por Suka às 19h26
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Deitava sobre as almofadas alaranjadas. Vazio de estrelas, cores e perfumes. Verde. Como aquela manga.

Os cotovelos já nem doíam tanto. Nenhum neologismo lhe surgia. Transparente observava um galho se equilibrar. A mão solta bate na mesa. Silêncio. Tensos torpores adormecem.

No embaçar dos olhos, o vidro da mesinha refletia o papel. O lápis aponta para o céu. Pensou.

Enquanto isso, da caixinha saía um som desconhecido. Não se agrada com a música nova. A fome quer aparecer nas entranhas férteis do que surge. Com o susto a ponta do lápis quebrou. Onde estaria o pincel? Não dá corda. Som baixo. Sem silêncio.

As cartas rasgadas não serviriam. Queima. O passado agora compõe concretas cinzas. Só sobrou a memória. E não há saída. Some. Conta como se acordasse agora.

A corda se partiu.

Na hora exata.



Escrito por Suka às 06h26
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dirigia a palavra a ti,

calava tua voz a mim

e nada mais se ouviu.

 

só, a vaga luz sorriu.

 

 

[que do vinho que te embebeda

saia a noite que te veste

e cubra de risos o que me destes]

 



Escrito por Suka às 12h21
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Pequena criança linda
Que fala com os sonhos e brinca nas ruas
Corre aqui do meu lado e me alcança
Porque ainda sinto as risadas tuas.

Volta, menina amada!
Pega os teus brinquedos perdidos!
Estavam todos te esperando
(e eu achei só os que estavam escondidos).

Não dorme, oh, doce amiga!
Viva então o calor da noite densa,
Dança ao som que te embala
E antes de acordar, somente pensa.



Escrito por Suka às 00h04
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um lençol cobria os sonhos
e escondia os rostos
unia o que estava ao lado
com o que não aparecia
desenhava as formas
que se equilibravam ali embaixo
acalentava os corpos
ainda assim aquecidos
e apagava os fingimentos
que ferem e magoam

(mas era fininho demais...)

não se tece as coisas tentando escondê-las



Escrito por Suka às 11h55
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deformas infundadas dores
de formas transversais e ambíguas

fosse verde, iria nas folhas caídas
mas foi-se embora no andar que rasteja

agora ficou aqui do meu lado
a hora da partida em que encontramos

os passos coloridos que deixaram de ser opacos
e que virão a esconder o que nem todos viram.

 

ao moço bonito que se faz presente



Escrito por Suka às 11h35
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Naquele quintal incerto
(tanto quanto certo)
passava um rio de lírios

Peregrinos risos soltos
Presos em taças largas
Variam com as notas floridas

De flores que não falam
Tão somente transmitem
Mais que cheiro, cor.

Sobem sons, descem densos
passeiam por cima de tudo
e se encostam nas pétalas alvas.

E é de ver a beleza e o contentamento
em flores que não falam
em notas soltas e risos largos
que sinto certeza
do instante do agora
pra sempre.
De uma interminável tarde em mim.

Anoitece então.
A vontade de alvorecer
tal como o som das águas.
E amanhece, enfim
a luz dos lírios

Foi-se cor de vinho
fez-se som de flor.

Eu noite
Eu lírio
Eu brisa
Com o vento se foi o dia.
E amanhã
(tem outro)

Tu dia
Tu paz
Tu violeta
Porque se vem a noite
chega o agora
(e sempre mais)

O poema-flor não acaba
A flor-poema não morre
Findo aqui
Antes que desbote a cor.

 

(Tássia e eu, na tarde de 1º de janeiro...)



Escrito por Suka às 00h40
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